Govuro, Janeiro de 2025 – Num cenário cultural vibrante, onde o ritmo corre nas veias da terra e a melodia ecoa em cada esquina, nasceu uma força unificadora: a AMUGO - Associação de Músicos de Govuro. Mais do que uma simples organização, a AMUGO ergueu-se como o pilar de sustentação de centenas de artistas, compositores, instrumentistas e produtores que, durante anos, trabalharam de forma isolada, sem o apoio e a visibilidade que o seu talento merecia.
A história da AMUGO começa em 2018, fruto de conversas entre velhos mestres da marrabenta e jovens promessas do eletrônico, em torno de um problema comum: a falta de um espaço de representação coletiva. O músico e produtor Kelson Nhaca, hoje presidente da associação, recorda os primeiros dias: “Percebemos que éramos fortes nas nossas batidas individuais, mas éramos uma nota só, sem harmonia, quando se tratava de defender os nossos direitos, buscar formação ou promover o nosso trabalho além das fronteiras de Govuro. Faltava-nos uma casa comum.”
A "casa comum" materializou-se num pequeno escritório no centro da cidade, que rapidamente se tornou ponto de encontro, de troca de ideias e de planeamento estratégico. Os objetivos eram claros: valorizar a profissão do músico em Govuro, criar oportunidades de negócio, oferecer formação técnica e jurídica, e, acima de tudo, catalogar e promover o riquíssimo património musical da província.
Nos últimos sete anos, a AMUGO transformou-se. De uma ideia modestia, passou a organizar eventos emblemáticos como o “Govuro Music Summit”, um festival e feira de negócios que atrai produtores de todo o país. Implementou um programa de mentoria onde veteranos como o DJ Ilizio orientam jovens talentos. Negociou coletivamente direitos de autor e tarifas mais justas para atuações em eventos públicos e privados.
Um dos capítulos mais marcantes da sua história foi o resgate e digitalização de arquivos sonoros. Muitas gravações históricas de grupos tradicionais de Govuro, guardadas em cassetes degradadas em sótãos e armazéns, foram recuperadas e preservadas num arquivo digital, garantindo que a memória musical não se perdesse.
“A AMUGO deu-nos identidade”, afirma a cantora e compositora Luísa Mbiza, membro fundadora. “Antes, éramos ‘o músico que toca naquela barraca’ ou ‘o DJ daquela festa’. Hoje, somos ‘Artistas Associados da AMUGO’. Isso traz um peso, um reconhecimento e uma rede de apoio que mudou vidas.”
O impacto económico também é visível. A associação criou uma bolsa de músicos para eventos, facilitando o contacto entre contratantes e artistas, e estabeleceu parcerias com escolas de música para cursos profissionalizantes a custos acessíveis.
Olhando para o futuro, a AMUGO planeia lançar a sua própria rádio web dedicada exclusivamente aos sons de Govuro e construir um estúdio de gravação comunitário. O sonho, partilhado por todos os associados, é fazer de Govuro não apenas um produtor de talentos, mas um verdadeiro hub de indústria musical regional.
A história da AMUGO é, no fundo, a história de como as notas solitárias se podem juntar para compor uma sinfonia poderosa. É a prova de que, em Govuro, quando a música fala em uníssono, toda a província para para ouvir.
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